Sunday, 18 March 2012

A LINGUA DE EULÁLIA - Marcos Bagno



A língua de Eulália, a novela sociolingüística, procura mostrar que o uso de uma linguagem 'diferente', nem sempre pode ser considerado um "erro de português".

O modo estranho das pessoas falarem pode ser explicado por algumas ciências como a lingüistica, a história, a sociologia e até mesmo a psicologia. Embora a nossa tradição educacional negue a existência de uma pluralidade dentro do universo da língua portuguesa, e não aceite que a norma padrão é uma das muitas variedades possíveis no uso do português, a "língua portuguesa" está em constante modificação e recebe, notadamente, a influência de palavras pertencentes a outros idiomas, principalmente dos imigrantes que chegam a todo momento no país, entre eles portugueses, americanos, japoneses, alemães e italianos.

A obra faz parte da coleção Caminhos da Língüística e conta a história de três estudantes universitárias dos cursos de Psicologia, Letras e Pedagogia que escolhem a chácara de sua professora Irene, em Atibaia -SP, para passar as férias escolares. No decorrer dos dias, as jovens vão se integrando cada vez mais com a professora em situações pouco acadêmicas, desenvolvendo conhecimentos e observações diferentes dos aprendidos em sala de aula, tendo oportunidade de reciclar, com diferentes padrões, os vários conceitos da língua portuguesa. Em diálogos e observações sobre o modo de falar de Eulália - a empregada e amiga de muitos anos de Irene -, as jovens aprendem, perplexas, que palavras pronunciadas de forma considerada errada, como "os fósfro", "os home", "as pranta", "os broco", "as tauba", "os corgo", "a arvre", "trabaiá", o "R caipira", "tamém", além da "língua de índio" - Mim fazer -, são; na verdade formas diferentes de pronúncia, e que não podem ser vistas pelos educadores como "erradas" ou "pobres", mas sim diferentes do padrão vigente (pobres são aqueles que as pronunciam, e errada é a situação de injustiça social em que vivem).
Apesar de ser considerado como "erro" por muitas pessoas, no português-padrão, que é tido como o 'correto', existem alguns verbos que têm dois particípios passados, sendo um deles com uma forma mais reduzida, como o verbo aceitar, que pode ser pronunciado como aceitado ou aceito; entregar, que pode ser conjugado como entregado ou entregue; gastar, que pode ser utilizado como gastado ou gasto, além dos verbos pagar onde as formas pagado ou pago são encontradas, e salvar, também visto como salvado ou salvo. A professora Irene, que também é Doutora em Lingüistica, chama a atenção das estudantes para que reflitam se realmente a língua que se fala no Brasil é o português; uma vez que os brasileiros não compreendem o português do século XII e nem o português falado em Portugal. A conclusão a que chegam é que o nosso "português" não existe, por ser uma língua formada por muitos outros idiomas e dialetos, totalmente mutáveis e variáveis. Ela explica que o que existe na verdade, são variações do português. Em diferentes regiões do país o português é falado com sotaques e características muito próprias, mas a norma padrão, com uma ortografia oficial, definida pela Academia Brasileira de Letras, é uma só, para ser seguida em todo o país.

Essa imposição marca a diferença entre a língua falada, que nem sempre segue o padrão imposto por lei, e o português-padrão, chamado também de norma 'culta'. Enquanto o português-padrão é aprendido nas escolas, e é aquele usado na linguagem escrita, o português-não-padrão é passado de uma geração para outra, oralmente. As regras do português-não-padrão são apreendidas quase naturalmente, por imitação. É uma linguagem mais funcional, que trata de eliminar as regras desnecessárias. É uma linguagem inovadora, que se deixa levar pelas forças vivas de mudança. Por outro lado, o português-padrão é muitas vezes redundante, necessita de muitas regras para dar conta de um único fenômeno. É conservador, demora muito para aceitar qualquer tipo de novidade e por essa razão se mantém inalterado por um tempo muito longo. No livro, a professora Irene considera ainda que, devido às imposições da norma culta da língua portuguesa, pode-se observar muito mais semelhanças do que desigualdades na comparação entre o português-padrão e o não-padrão. Essas semelhanças podem ser vistas principalmente em traços lingüísticos, como os verificados em um falante escolarizado da região Sul, que pode se comunicar perfeitamente com um analfabeto do Norte do país. Esse mesmo analfabeto terá grandes dificuldades em entender uma linguagem mais padronizada. Mas isso não significa que não tenha capacidade para aprender regras gramaticais, o que depende, em parte, da maneira de ensinar na escola que ele vier a freqüentar.

Entre outras coisas, o livro A Língua de Eulália mostra que na comparação entre o português-padrão e o português-não-padrão o maior preconceito apontado não são exatamente as diferenças lingüisticas que prevalecem, mas sim, as diferenças sociais, mostrando que esses preconceitos são comuns, como por exemplo o étnico: o índio "preguiçoso", o negro "malandro", o japonês "trabalhador", o judeu "mesquinho", o português "burro"; o sexual: a valorização do "macho"; o cultural: o desprezo pelas práticas medicinais "caseiras", além dos socio-econômicos: como a valorização do rico e o desprezo pelo pobre; entre outros. Desvendando a sociolingüistica de maneira especial, o autor se preocupa em transmitir através desta obra, que por mais estranhas que possam parecer certas pronúncias, por mais incompatíveis que sejam com o português padrão que aprendemos na escola, cada uma dessas palavras têm uma origem perfeitamente explicável dentro da história da língua portuguesa. A Língua de Eulália conduz o leitor a uma verdadeira "viagem ao País da Lingüistica", e ajuda a entender mais a nossa língua portuguesa.

NA MINHA HUMILDE OPINIÃO ESTE LIVRO DEVERIA SER OBRIGATÓRIO NAS NOSSAS ESCOLAS.

Monday, 27 February 2012

O DOM DE GABRIEL - Hanif Kureishe

O adolescente Gabriel tem uma sensibilidade fora do comum, é um exímio desenhista e sonha fazer um filme. A situação, porém, não está fácil em Londres e, certo dia, o garoto descobre que terá de aprender a viver entre os pais recém-separados e com sérias dificuldades financeiras.
É uma vida nova - e não muito animadora - que começa para Gabriel. Os papéis se invertem: o filho é que tem de lidar com as dificuldades afetivas e materiais de um pai sem rumo na vida e de uma mãe insegura e carente. Fora do convívio familiar, Gabriel tem dois companheiros muito especiais. Zak, seu melhor amigo, vai ser o protagonista do filme que os dois planejam fazer juntos. Archie, irmão gêmeo que morreu aos dois anos e meio, continua vivo na cabeça de Gabriel, ajudando o irmão a resolver problemas.
Driblando as inseguranças da mãe e as maluquices do pai, Gabriel descobre que a imaginação e a astúcia podem levá-lo a conquistar uma nova dimensão afetiva

É TUDO TÃO SIMPLES - Danuza Leão

O mundo deu muitas voltas desde que Danuza Leão escreveu seu primeiro livro: Na sala com Danuza. Agora, 20 anos depois, a colunista fala com aquele charme que lhe é peculiar sobre etiqueta pós-internet, romance pós-celular e outras pós-modernidades. Com dicas para as classes emergentes sobre o que levar na primeira viagem de avião, para o filho que quer contar para a família que é gay e para as mães que estão vivendo sua segunda juventude depois dos 40, Danuza aposta num mundo sem ostentação e regras rígidas de etiqueta, em que o chique é ser simples e de bem com a vida.


COMPREI ESTE LIVRO POR CURIOSIDADE, POIS NUNCA HAVIA LIDO ALGUM LIVRO DESTA AUTORA. PARA MIM FOI UMA SURPRESA "NEGATIVA", POIS IMAGINAVA A DANUZA COMO UMA PESSOA BEM RESOLVIDA E PARA MIM PASSOU A IMPRESSÃO DE UMA PESSOA AMARGA, TRISTE, SOLITÁRIA, PASSANDO UMA IMAGEM DE QUE ESTA DE BEM COM A VIDA. ME CHAMOU MUITO A ATENÇÃO DO CAPÍTULO EM QUE ELA FALA DA RELAÇÃO MAE/FILHOS E SOGRAS/GENROS E NORAS.

 LER NÃO É SOMENTE JUNTAR AS LETRAS E LER O QUE FORMA E SIM LER O QUE ESTÁ POR TRAS DE TUDO.

ACHO QUE MINHA LEITURA FOI ALÉM. POSSO TER CAPTADO A MENSAGEM ERRADA, COMPLETAMENTE EQUIVOCADA, MAS DEIXO PARA VOCES DECIDIREM.

MINHA CRISE DE MEIA IDADE FAVORITA (ATÉ AGORA) - Toby Devens

O que você faria se descobrisse, depois de 26 anos de casada, que seu marido está apaixonado por Brad, o decorador? Pois é isso o que acontece com a Gwyneth Berke, uma bem-sucedida ginecologista que precisa reestruturar sua vida após essa terrível revelação. Mas ela resolve esse dilema da melhor forma possível, recrutando suas melhores amigas, também recém-descasadas, como consultoras para a formulação dos planos para essa nova etapa da sua vida - que inclui um necessário estoque de bom humor e, claro, a busca de um novo amor.

"Minha Crise de Meia-Idade Favorita (Até Agora)", romance de estréia de Toby Devens, é diversão garantida tanto para mulheres que estão passando por essa fase da vida quanto para aquelas que ainda chegarão lá.

"Escrever este livro foi um trabalho de amor", afirma a autora. "Como uma escritora poderia não se deleitar ao contar uma história sobre mulheres brilhantes, autoconfiantes e corajosas 'de uma certa idade', que falam sobre tudo o que a vida traz consigo (o envelhecimento dos pais, a relação difícil com os filhos, desafios profissionais, problemas de saúde e, é claro, homens em sua infinita variedade) com personalidade e humor? A maior diversão foi acrescentar a isso uma deliciosa trama de vingança e dar aos meus personagens o poder de mudar suas vidas."

Para a Booklist, "O romance de Devens trata de mulheres bem-sucedidas na vida, nas amizades e na carreira, percebendo o que realmente importa ao se chegar à meia-idade. Os personagens maravilhosos desta história divertida e comovente fazem dela uma leitura deliciosa."

Sunday, 26 February 2012

O PÃO DA AMIZADE - Darien Gee

UM PRESENTE ANÔNIMO CONDUZ UMA MULHER A UMA JORNADA QUE ELA JAMAIS PODERIA IMAGINAR.
Certa tarde, Julia Evarts e Gracie, sua filha de cinco anos, chegam em casa e encontram um presente na varanda: um pão da amizade com o simples bilhete “espero que você goste”. Junto, há um pacote de massa, instruções de como fazer o pão e um pedido para que ele seja compartilhado com outras pessoas. Ainda abalada pela tragédia que a distanciou da irmã, antes sua melhor amiga, Julia continua perdida quanto aos rumos de sua vida. Ela teria jogado fora o presente anônimo, mas, para alegrar Gracie, concorda em assar o pão. Quando Julia conhece duas recém-chegadas à pequena cidade de Avalon, Illinois, ela desencadeia uma ligação ao oferecer a elas uma parte da massa. A viúva Madeline Davis está trabalhando para manter aberto o seu salão de chá, enquanto a famosa violoncelista Hannah Wang de Brisay está numa encruzilhada, com o fim da carreira e do casamento. Na cozinha do salão de chá de Madeline, as três mulheres firmam uma amizade que mudará suas vidas para sempre. Não demora para que todos em Avalon estejam assando o pão em suas cozinhas. Mas este momento feliz e as novas amizades também apresentam um novo desafio: a necessidade de reencontrar a irmã e lidar com uma situação que ela preferia esquecer.
O pão da amizade conta uma história espiritual e comovente sobre a vida, a amizade, as dificuldades e a família, e sobretudo a necessidade de mantermos sempre acesa a chama da esperança.

PRECISO TE CONTAR UMA COISA - Melissa Hill

Neste romance contemporâneo e envolvente, a autora best-seller na Irlanda, Melissa Hill, conta a história de um jovem casal que terá sua vida abalada pelo ex da moça e os fantasmas de seu passado. Justamente quando está tudo às mil maravilhas entre Mike e Jenny, Roan Williams aparece de novo em suas vidas. Quatro anos antes, Roan destruiu o coração de Jenny, e, desde então, ela carrega um terrível segredo. Mas agora que seu antigo amor entra novamente em cena, sabe que terá que confessar a verdade antes que seja tarde demais. É possível que sua relação com Mike chegue ao fim, mas ele é seu noivo e tem direito de saber. Será que o amor entre os dois será capaz de superar essa crise?

Adorei o livro. No último capítulo me emocionei e ate deixei correr algumas lagrimas....

Thursday, 9 February 2012

NAO COMI, NAO REZEI, MAS ME AMEI - Gisela Rao


Ao contrário de Elizabeth (a personagem de Julia Roberts no filme "Comer, Rezar e Amar") que largou tudo e foi viajar pelo mundo em busca de auto conhecimento após problemas amorosos, a jornalista Gisela Rao propõe que a solução é simplesmente olhar para dentro de si e prestar muita atenção.

A escritora colocou esse discurso em prática e vigiou a própria autoestima por 365 dias.  Esta vigilancia tem 3 fases: 
 
*  começou como palha (quando ela sofre um bocado com o peso, a falta de dinheiro por gastar demais e está acomodada),
 
*  passou para madeira (quando já têm mais consciência, mais ainda tem dificuldade em se afastar do que não faz bem)
 
* e virou tijolaço (quando reconhece todo seu valor, retoma seu poder interior e dá um reload em sua vida). Sim, se ela(e tanta gente) conseguiu, você também consegue.